SOBRE A CONFERÊNCIAOs Arquitectos Sem Fronteiras Portugal, vêm convidar para a participação na Conferência Internacional, Arquitectura Sem Fronteiras "O Ensino da Arquitectura no processo do desenvol-vimento".
Paralelamente ao evento estará patente no local da conferência uma exposição denominada de "Architecture sans frontiere international", que expõe trabalhos de algumas congéneres dos Asf-internacional.
Recorrentemente, o papel das escolas de arquitetura e processos de ensino é justamente questionada. O debate tradicional incluí o contraste entre uma aproximação "apenas visual" e da chamada cultura da construção. Isto é a criação de espaços para viver versus a criação de objetos no espaço. Recentemente, este debate atravessou as relativamente auto centradas fronteiras da academia e da prática e atingiu um público mais amplo através de uma diversidade de formas e alcance de media, como a Web ou o nosso jornal local. Pela primeira vez, a questão é levantada a partir de um ponto de vista social - ou, para todos os efeitos - a partir do reconhecimento de um modelo político-económico falhado, pelo menos nos países ocidentais. De repente, estamos familiarizados com as implicações financeiras da crise do sub-prime, crédito parado, taxas de juros internacionais, taxas de desemprego crescentes ou as virtudes e limitações dos planos de austeridade. Na arquitetura, este turbilhão manifesta-se no abrandamento rápido do investimento (público ou privado), na falta de trabalho, no encerramento de práticas, no desemprego e na emigração.
Nada pode expressar melhor o estado das coisas como a situação em países da Europa meridional, tradicionalmente com crescimento económico de mãos dadas com o desenvolvimento do ramo da construção e, até recentemente, ostentando promessas de receitas generosas do sector imobiliário: precedida pela crise do sub-prime, a bolha rebentou e deixou inúmeros investimentos de construção pela metade ou vazios, investidores de mãos vazias e arquitetos sem trabalho. Socialmente, a situação também oscila perigosamente quando é negado crédito ás famílias despejadas de suas casas, que engrossam as filas do desemprego. Sem novas comissões e sem perspectivas de futuro, o que devem os arquitetos fazer? Muitos, é claro, emigrar: para lugares onde o modelo capitalista para a sociedade ainda prevaleça ou para as novas petro-economias. Outros agarram-se á sua fama (ou charme) e arranjam um lugar de prestígio acadêmico, pelo menos, enquanto a crise durar. Mas a questão permanece: qual deve ser o papel das escolas de arquitetura e de arquitetura, num mundo em mudança? Por que muitos arquitetos ainda se concentram em questões de trabalho de autor e exercícios fora da realidade, enquanto o número de necessitados aumenta, não só nos países mais pobres, mas de modo preocupante agora também nos países mais ricos? Em campo, muitos arquitetos e práticas já avançaram. Os exemplos vão desde o trabalho com comunidades: por exemplo, fornecendo meios e instrumentos para implementar práticas mais sustentáveis no consumo de energia, promover a interação com a comunidade através da criação de hortas urbanas, ou navegar pelo labirinto legal e ser capaz de ocupar vazios urbanos. O objetivo é criar um foco na reabilitação e no ensino de uma cultura de manutenção, e para incentivar uma atitude experimental do "faça você mesmo" na construção de habitações ambientalmente conscientes. Estas abordagens aumentam a consciência existente no sentido do ensinar processos de desenvolvimento e ajudar as comunidades por todo o mundo. A diferença é que, pela primeira vez, a ideia alastra a um publico mais vasto que está empenhado em distanciar-se de um modelo baseado na sociedade de consumo e de um mundo da arquitetura baseado em modas, adaptado ao consumidor, e que promove uma atitude auto centrada no projeto.
Está este tempo preparado para tal mudança de paradigma? Por ocasião da Assembleia Geral da “Architecture Sans Frontieres – International” a ser realizada no Porto em Abril de 2013, estas questões serão debatidas e procuradas possíveis rotas para o futuro, dentro de temas, tais como:
• Escolas e Centros de formação no processo de desenvolvimento ( TEMA 1) |
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